1999, o começo.

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A idéia de montar uma fonthouse surgiu em 1998 com os primeiros desenhos de fontes. Uma idéia envolta pela inocência e ambição dos vinte e poucos anos. T26, Emigre, House Industries e tantas outras eram um colírio para meus olhos. Olhos havidos por ver refletida aqui em Recife aquela cena que, para mim, se desenrolava na internet. Todavia, apenas em 1999 pude de fato encontrar condições de começar algo neste sentido.

 Naquele ano juntei minha vontade de trabalhar com tipografia a de Miguel Sanches e surpreendentemente encontramos outros amigos com o mesmo pensamento. Muitos deles tinham trabalhos engavetados e, assim como nós, vergonha ou absoluta falta de intenção de mostra-los.

A esse tempo eu já havia conhecido José Bessa e Cláudio Reston – Elesbão e Haroldinho – via intenet. Um Design de Bolso acabou parando em minhas mãos me causando paradoxalmente euforia e tristeza. Tristeza pois havia encontrado ‘minha idéia’ realizada ainda melhor do que minhas projeções aspiravam. Euforia pois soube que havia encontrado alguém fora de minha cidade com idéias parecidas e capacidade de realizá-las de forma brilhante. Trocamos nossas fontes e rapidamente fui convidado pelos meninos a participar de um catálogo da Tipopotamo Fontes, sua fonthouse.

Foi o estopim que faltava para detonar a Tipos do aCASO. Solange Coutinho, Márcia Maia, Moema Cruz, Miguel Sanches e eu decidimos que nosso coletivo fundado naquele 26 de abril, o aCASO, tinha de ter uma fonthouse. A missão de concretiza-la coube a mim e a Miguel.

Definitivamente um mês atribulado aquele agosto de 1999. Recebi um convite do meu querido amigo José Marconi B. de Souza, então coordenador do curso de design do Centro[Design]Ceará, para ministrar uma disciplina de desenho experimental de fontes digitais. Após recuperar-me do choque, aceitei o desafio de posse de toda a cara de pau que poderia reunir para responder a aquela provocação. Contudo, não o faria sozinho. Arrastei Miguel para aquela aventura. Por sorte o acaso – não falo de nosso coletivo – conspirou a nosso favor e um conflito de convites nos colocou frente a frente com a professora Priscila Lena Farias.

O diretor do centro, o Sr. Eduardo Baroso, havia realizado convite semelhante para a autora do recém publicado Tipografia Digital. Ufa, pulamos uma fogueira! Imediatamente nos candidatamos a cursar aquela disciplina, claro. Sem acordos para dividi-la, como desejou Marconi.

Reunimos os trabalhos de alguns amigos e limpamos a poeira de uns outros nossos. Assim, diagramamos o primeiro catálogo da Tipos do aCASO que ainda rendeu uma exposição e nosso cartão de visita – este publicado na edição de número dois da revista Tupigrafia. Acendemos o estopim e surgiu nossa tão desejada fonthouse.

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