Cordel, a primeira fonte.

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Já faz um tempo que desejo publicar neste site o texto que havia escrito, a pedido do Pedro Moura, para o saudoso site Tipos Populares. Falo de um breve relato sobre minha primeira incursão ao mundo do desenho tipográfico, a experiência com a produção da fonte digital Cordel.

Tal desejo aumentou durante recente visita ao Alto do Moura, em Caruaru. Chegando lá, ainda dentro do carro, vejo a Cordel estampada na fachada de um dos restaurantes do local. Engraçado ver onde suas fontes vão parar, sobretudo quando distribuidas gratuitamente.

Bem, a foto que ilustra este ‘post’ é do material apresentado ao colega Sílvio Barreto Campelo nos idos de 1997, um ‘type specimen’ bem rudimentar. Com a leitura do texto a seguir ficará claro que ainda guardo com carinho a maior parte de meus trabalhos de faculdade.

Segue uma re-edição do texto original gentilmente cedido pelo Pedro:

CORDEL – Os primeiros passos de um tipógrafo digital

O designer Buggy é a mais nova adição ao nosso corpo de tipógrafos populares! Ele fala ao nosso site sobre seu primeiro projeto de tipografia digital, baseado em literatura de cordel, e disponibiliza a fonte para download com exclusividade no Tipos Populares do Brasil.

Tenho um carinho muito especial pela Cordel. A história de sua criação tem um simbolismo muito forte para mim.

Parecerá estranho aos que me conhecem mas é verdade. Minha primeira fonte digital foi completamente gerada em Corel Draw… Desenho, espaçamento – sim os espaços esquisitos foram planejados – e geração de arquivo. Tudo feito com os ‘mais baixos recursos tecnológicos’ disponíveis na época, uma superação.

Era dia 29 de junho de 1997 quando apresentei a primeira versão da Cordel ao amigo Sílvio Barreto Campelo como resultado de uma sua disciplina no curso de design da UFPE.

Folhas A4 impressas em jato de tinta e enrroladas em papelão micro-ondulado traziam o conjunto de caracteres, até hoje inalterado, e o seguinte texto:

“A xilo praticada no auge do comércio da literatura de cordel no Nordeste foi o principal método de reprodução de imagens em impressos. A tipografia Cordel baseia-se no grafismo dos títulos talhados junto as imagens nos tacos de xilogravura. Seus traços sujos e toscos são citações do resultado desse rudimentar registro, contudo seu design como um todo é atual. Concebido sob uma ótica contemporânea.

Tal parágrafo é parte do relatório de uma pesquisa que durou dois meses e explorou o acervo de folhetos do Museu do Estado de Pernambuco.

Ah! Sinto saudades daquele tempo em que eu não conhecia qualquer tipo de culpa quanto ao design. Foi justo isto, inocência, disposição e, sobretudo, capacidade de realização que me empurrou para o mundo da tipografia.

Considero a Cordel meu marco pessoal de início da Tipos do aCASO. Sou grato ao Sílvio pelo despertar e pela oportunidade de começar a fazer algo concreto capaz de mudar verdadeiramente o lugar que escolhi para morar.

Agora, pela primeira vez, essa fonte está sendo colocada a disposição de todos, livremente. Espero que sua versão original seja instalada, impressa, descartada, amada e odiada. Assim, mesmo que por poucos instantes, ela cumprirá seu propósito. Será utilizada.

Buggy é designer e idealizador da casa de tipos Tipos do aCASO > http://www.tiposdoacaso.com.br

One Response to “Cordel, a primeira fonte.”

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