Fidalga 2010

Já faz um tempo que estou em dívida com os amigos da Gráfica Fidalga, Carlinhos e Sr. Maurício. Tentei várias vezes escrever sobre a visita que lhes fiz ano passado, em plena Copa do Mundo. Porém, sempre que abria o editor de texto algo novo surgia para desviar minha atenção. Uma grave falta diante da generosidade e simpatia desses dois impressores.

Era manhã do dia 28 de junho de 2010. O jogo Brasil e Chile estava marcado para começar às 15:30h. Mas, às 10:45h Henrique Nardi, Matheus Barbosa e eu chegávamos em frente ao portão de uma casa simples, no bairro do Morumbi em São Paulo.

Tocamos a cigarra e Carlinhos veio nos atender. Faziam poucos meses que a gráfica havia mudado de endereço, deixando a Vila Madalena.

Cumprimentos trocados, entramos para conhecer a gigantesca impressora. Eu nunca havia estado diante de um equipamento como aquele. A dimensão era impressionante, tudo era grande dentro do pequeno imóvel. Tipos medidos em furos, ramas em metros e uma intrigante ausência de guilhotina.

Dois dos três cômodos da casa abrigavam o excelente acervo da Fidalga. Na sala, repleta de prateleiras, descansavam, uns sobre os outros, os tipos de madeira com corpos acima de 10cm. Em um dos quartos apertavam-se algumas caixas tipográficas de corpos menores, 72 e 96pts. A suíte servia de vestiário.

Fomos deixados a vontade para explorar tudo, desde que não bagunçássemos a organização dos tipos.

Fiz inúmeras perguntas sobre a composição manual para produção de cartazes, a confecção de tipos, o perfil de clientes da gráfica e até sobre aquisição de equipamentos. Nada ficou sem resposta. A paciência de Carlinhos e Sr. Maurício foi enorme. Ao longo da conversa Henrique sugeriu que fizéssemos um cartaz. De pronto aceitei e convidei Matheus para compormos algo de improviso. Uma peça que marcasse a visita da Tipos do aCASO a Gráfica Fidalga.

O sol estava a pino quando demos início ao projeto com a promessa de sairmos de lá para assistir o jogo em um bar com os cartazes impressos.

Texto redigido, tipos e adornos escolhidos começamos a montar a matriz.

Ao final desse trabalho, apertamos os cunhos e montamos a rama na impressora. Aproveitamos a mesma tinta que estava na máquina para a impressão de um pôster lambe-lambe que acabara de ser rodado.

Após o teste de impressão saímos para sacar dinheiro para pagar a tiragem. Ao retornarmos o cento de cartazes já estava pronto. Promessa cumprida.

Enchemos o porta malas do carro de Henrique e saímos correndo para não perder o jogo. Tudo deu certo, ganhamos de três a zero e a peça gráfica ficou ótima.

Ah! A Fidalga não usa guilhotina porque a maioria dos impressos que produz adota a dimensão industrial das folhas de papel como formato final ou como sua fração.

7 Responses to “Fidalga 2010”

  1. Anna Luiza says:

    Eu tenho 1!
    😉

  2. Estou começando um grande romance com a tipografia e a impressão tipográfica e quando estiver em sampa vou incluir a Fidalga no meu roteiro!
    Muito lindo o cartaz!
    =)

  3. Obrigado por ter posto essa informacao no seu blogue. Ajudou bastante. Vou partilhar no meu blogue se voce autorizar.

  4. Diego Farias says:

    Show de bola o site, estou gostando muito de ler o conteúdo, é bem legal. Continue posando coisas assim. Abraço!

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