Archive for December, 2009

Presente de Natal

Thursday, December 24th, 2009

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Durante o primeiro semestre deste ano projetei e executei em offset um cartaz para promover a fonte Armoribat 2, lançada na última Bienal da ADG.

Imprimir áreas de chapado em uma Catu 510 não é tarefa fácil. Porém, durante minha estada a frente do Laboratório de Impressos e da Coordenação do Curso de Design da Faculdades Integradas Barros Melo pude aprender alguns truques úteis. A regulagem da pressão da blanqueta e o constante ajuste de carga nos cilindros, em média a cada 5 impressos, são a chave para obter um bom resultado. No pain, no game…

Foram produzidas 200 cópias em P&B e 100 em prata. Toda a tiragem realizada em papel couché 75g/m2. Os impressos em preto estão sendo entregues aos amigos durante os eventos de design que tenho participado. Já os cartazes prateados somente serão distribuídos no segundo trimestre de 2010.

Esteticamente falando, promover um dingbat é simples. Os caracteres da fonte podem ser utilizados para compor a ‘ilustração’ do cartaz. Foi o que fiz. Também a fonte Lia – desenvolvida para os festejos de minhas bodas – foi utilizada. Título e texto legal foram compostos com ela. O splash que destaca as premiações dos Armoribats 1 e 2 ainda utiliza um caractere da fonte Bigodes do Ceará. Todas essas fontes ainda serão comentadas neste blog.

Tudo isso dito porque hoje é Natal. E hoje ofereceremos gratuitamente 5 exemplares autografados desse cartaz aos autores dos 5 primeiros comentários deitos a este post até o final do dia.

Para tanto, é necessário que o comentário acompanhe o nome completo e o e-mail de seu autor. Uma vez aceito o cometário, enviaremos ao e-mail indicado uma solicitação de endereço para remessa deste presente.

Vale lembrar que cada cartaz acompanhará um exemplar de O MECOTipo, igualmente dedicado, e que cada autor receberá apenas 1 conjunto caratz&livro, independente do número de comentários.

A Tipos do aCASO arcará com todas as despesas de envio postal desse presente de fim de ano desde que o endereço do destinatário esteja dentro dos limites do território nacional.

Feliz Natal a todos!

Armoribat 2

Thursday, December 24th, 2009

Literatura, teatro, artes plásticas e música são algumas expressões de um exuberante movimento cultural que fundiu o erudito e o popular do Nordeste do Brasil, o Armorial. Alguns dos artistas arregimentados pelo escritor Ariano Suassuna para originar esse movimento emprestam seus traços para compor os ícones desta fonte dingbat.

Um levantamento iconográfico realizado através de moldes científicos forneceu subsídios para a construção desta fonte que busca preservar e promover o Movimento Armorial e está inserida em uma família com mesma finalidade.

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Armoribat 1

Wednesday, December 23rd, 2009

Entre os anos de 1940 e 1960 o Brasil desabrochou para a Era Industrial. A chegada e a popularização do cinema, rádio e TV iniciaram a massificação da arte produzida apenas nos centros urbanos, apesar da cultura popular continuar pulsante nos recônditos pobres, principalmente nas áreas rurais. Assim, algumas expressões artísticas sobreviveram marginalizadas no Nordeste do país como o mamulengo, o maracatu, o cavalo-marinho, o reisado e a literatura de cordel.

Com o objetivo de revitalizar essas tradições populares o escritor Ariano Suassuna arregimentou o trabalho de alguns artistas e promoveu uma re-leitura erudita delas. Estava criado o Movimento Armorial, lançado em outubro de 1970, no Pátio de São Pedro, centro do Recife.

Esta fonte dingbat foi desenvolvida a partir de um levantamento iconográfico focado nesse movimento, afim de preserva-lo e difundi-lo. Os traços de seus ícones remetem aos observados nas capas dos folhetos de cordel, inspiração para o Armorial.

A Tipos do aCASO promoveu essa realização durante o período de sua permanência como unidade de negócios da Fundição Design e Tecnologia. A exemplo do projeto Manguebats, – premiado levantamento iconográfico do Movimento Mangue Beat – o Armoribats trata de um movimento cultural tipicamente pernambucano com expressões em vários segmentos artísticos.

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Não temos Hamilton…

Thursday, December 17th, 2009

Já fazem dois dias que recebi a notícia. Não, os tipos de madeira que estou restaurando não são da Hamilton.

No dia 10 deste mês escrevi ao Sr. Robert Lee, responsável pelo acervo do Wood Type Museum, solicitando a confirmação da origem de uma caixa de tipos que adquiri a cerca de um ano. Fiz isso pois, havia tido contato com o catálogo 14 da Hamilton poucos dias antes e percebi que o desenho da fonte classe O, nº 644, era idêntico ao dos blocos que estava manipulando.

Infelizmente o Sr. Lee não os reconheceu como tal. ‘ You type looks very similar to Hamilton’s #644. It is almost identical.
However, when you look closely you will see minute differences in almost all the alphabets. Most obvious is in letter “R” where inside circle is almost half circle in yours, but in 644, it is more elongated.’.

Por um lado, uma pena. Por outro, a saga continua: Quem conheçe essa fonte?

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Transporte da minerva

Wednesday, December 16th, 2009

Atendendo a pedidos, algumas imagens do transporte da minerva. Um processo engenhoso que conforme o Sr. Rogério, antigo proprietário da máquina, somente operado por especialistas.

De fato, creio que doze homens não conseguiriam ‘levar no braço’ uma impressora dessas. Porém, dois ‘egípcios especializados’ operam verdadeiros milagres.

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Yes, we have a printing press!

Monday, December 14th, 2009

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2009 foi um ano especial para mim e para a Tipos do aCASO. Neste ano escrevi meu segundo livro, casei-me com uma mulher maravilhosa, desenvolvi duas fontes e realizei o sonho da minha mãe ao ingressar no servidorismo público – tornei-me professor da UFPE.

Para fechar o ano com chave de ouro, ainda ganhei a minha primeira tipografia. Sim. Impressora, caixas de tipos, quadrados, linhas, componedores, cunhos, etc. Uma gráfica de pequeno porte completa adquirida de ‘porteira fechada’. Mais que um primeiro sutiã, muito mais. Tudo está funcionando.

Além de satisfazer o fetiche de qualquer tipógrafo ainda obtive farto material de pesquisa. Ou seja, o fetiche de qualquer pesquisador: um acervo todo seu, disponível 24 horas por dia, todos os dias da semana, durante o ano inteiro.

Por hora, posso dizer que trata-se de uma minerva, formato 6 ou 8 (ainda a verificar), acompanhada de dois cavaletes equipados com aproximadamente 20 gavetas de tipos. Marca, ano de fabricação e fontes serão revelados após o inventário completo desse presente.

Alguns instrumentos serão restaurados e até a metade do próximo ano deverei publicar o primeiro catálogo da Tipografia Tipos do aCASO.

Em breve os resultados dessas ações serão publicados neste blog. Esse 17 de novembro ainda vai render muitos impressos…

Tipos de madeirda & linóleo?

Saturday, December 12th, 2009

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Wood Type Class O. No. 644 da Hamilton.

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Grotesca Gorda Apertada da Fontimod, corpo 96 pontos.

Conforme prometido, ai estão as imagens das fontes citadas nos dois últimos posts.

O material da fonte produzida pela Fontimod ainda não foi identificado ao certo. Se alguém souber fazê-lo com propriedade entre em contato ou faça um comentário.

Ontem entrei em contato com o Wood Type Museum para obter mais informações sobre o restauro dos tipos da Hamilton.

Novo projeto

Thursday, December 10th, 2009

Até agora nunca havia colocado um projeto em andamento disponível neste site para apreciação pública. Porém, chegou a hora. Tenho tido muitas novidades e já mantive silêncio por um bom tempo. Tempo esse necessário para poder dizer algo de realmente interessante.

Após instituir o Laboratório de Tipografia do Agreste, LTA – do qual ainda se saberá bastante através deste site – no CAA de Caruaru resolvi iniciar um projeto de fonte para ser utilizado no cartaz de convocação de estagiários. A peça terá de refletir o espírito do LTA. Desse modo, deverá ser impressa com tipos móveis. Mas, como fazer isto com corpos maiores do que 96 pontos quando não se tem caixas deles? Bem, isto já foi feito antes dos maravilhosos microcomputadores e impressoras jato-de-tinta, logo não há novidade. É só pesquisar.

Madeira pode ser a resposta. Está ligada ao passado recente de impressão no Agreste – tacos de xilo para ilustrar as capas de cordéis – e permite o desenho de grandes corpos. Como o uso de algumas das espécies adequadas a este uso configuram hoje crime ambiental e de qualquer forma, as pranchas das espécies de corte são difíceis de preparar o substituto ‘natural’ irá servir bem ao propósito. Que seja o MDF.

Decisão tomada e ouvi de mim mesmo a pergunta que ouço todos os dias de outras bocas: Que fonte usar? Imediatamente a resposta: Uma nova, feita por mim! Cartaz e tipos de madeira lembram o período Pré-Moderno. Victorian Era, tanto européia, quanto americana. Caminho apontado, pesquisa iniciada e projeto em andamento.

Preciso apenas de três letras para ilustrar o cartaz. ‘L’, ‘T’ e ‘A’. As demais virão da caixa da Fontimod citada no post anterior. Mas, designer que é designer padece cronicamente de ‘5 minutos’ e a fonte deve ser completa. Assim, segue o preview que mostra o andamento do trabalho.

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Oficina Impressão com tipos móveis

Wednesday, December 9th, 2009

Resolvi utilizar pela primeira vez algumas das fontes e equipamentos tipográficos que adquiri nos últimos anos para realizar uma oficina de impressão. Foi bastante desgastante, porém gratificante. Utilizamos uma caixa completa de ‘Grotesca Gorda Apertada’ corpo 96 da Fontimod e meia caixa de Wood Type Class O. No. 644 da Hamilton.

Algumas curiosidades justificam meu receio em utilizar esse material. Primeiro, a fonte da Fontimod é feita de um material diferente da liga de metal convencional – antimônio e chumbo – ou da madeira. Acredito ser linóleo, algo pouco comum nas gráficas que usam tipo móveis que tenho tido contato, porém ainda não obtive confirmação confiável. Segundo, a fonte da Hamilton faz parte do seu célebre catálogo 14 e ainda está em processo de restauro. Este catálogo de tipos de madeira foi publicado em 1899. Portanto os tipos podem ter até 110 anos de idade.

De qualquer forma, meus medos não vieram me atormentar. Tudo correu bem na experiência. Nada foi danificado e todos os participantes respeitaram o material colocado a disposição.

Trabalhamos com tema livre. Utilizamos uma prensa de torque formato 6, colheres de madeira e tinta tipográfica preta e offset laranja. Papel sulfite para todos em formato A4 e A3. Foi bastante divertido.

Assim, na tarde de 22 de outubro de 2009, durante a I Jornada de Ensino, Pesquisa e Extensão promovida pela UFPE, SBPC e Prefeitura de Caruaru no Campus do Agreste da UFPE foram feitas as primeiras impressões com os tipos móveis de meu acervo pessoal.

Os resultados desta experiência seguem abaixo.

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