Archive for May, 2010

Oficina de Impressão Tipográfica 2010.1

Monday, May 17th, 2010

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Na última quinta-feira, dia 13 de maio, ocorreu a segunda Oficina de Impressão Tipográfica no Centro Acadêmico do Agreste da UFPE, em Caruaru. O evento foi um sucesso. Foram ofertadas, inicialmente, 35 vagas gratuitas, porém contou-se a participação de 36 alunos e dois professores, Prof. Me. Marcos Buccini e Prof.ª Ma. Andréa Costa. Todos divertiram-se muito.

Conforme planejado, as atividades conduzidas pelo Prof. Me. Leonardo Araújo da Costa – Buggy tiveram início as 14:00h e fim as 18:00h. Nesse período foram apresentados os instrumentos a serem utilizados (tipos, componedor, rama, cunho, chave de cunho, cotaços, prensa e rolo), demonstrado o processo de composição/impressão e proposto o desafio aos presentes de produzir um impresso tipográfico.

Os resultados obtidos superaram as expectativas. Não só o processo tal como demonstrado foi utilizado, também verificou-se uma série de intervenções com o uso de solventes, impressões digitais, estopas e outros recursos que enriqueceram a experiência. Apenas um dos inscritos na oficina tinha conhecimento prévio do processo tipográfico. Todavia, tal fato não limitou as possibilidades plásticas das propostas desenvolvidas em resposta ao desafio lançado. Ao contrário, a liberdade de expressão gráfica marcou a maior parte dos resultados obtidos.

Os alunos do Curso de Design do CAA vinculados ao LTA atuaram de forma fundamental na pré-produção da oficina, contribuindo na organização dos instrumentos, divulgação do evento e articulação dos participantes para aquisição do material a ser utilizado (tinta tipográfica, papel sulfite, restaurador de blanqueta e estopa). Ao final da oficina, todo o excedente desse material levado pelos participantes foi doado ao projeto de extensão.

Cordel, a primeira fonte.

Sunday, May 2nd, 2010

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Já faz um tempo que desejo publicar neste site o texto que havia escrito, a pedido do Pedro Moura, para o saudoso site Tipos Populares. Falo de um breve relato sobre minha primeira incursão ao mundo do desenho tipográfico, a experiência com a produção da fonte digital Cordel.

Tal desejo aumentou durante recente visita ao Alto do Moura, em Caruaru. Chegando lá, ainda dentro do carro, vejo a Cordel estampada na fachada de um dos restaurantes do local. Engraçado ver onde suas fontes vão parar, sobretudo quando distribuidas gratuitamente.

Bem, a foto que ilustra este ‘post’ é do material apresentado ao colega Sílvio Barreto Campelo nos idos de 1997, um ‘type specimen’ bem rudimentar. Com a leitura do texto a seguir ficará claro que ainda guardo com carinho a maior parte de meus trabalhos de faculdade.

Segue uma re-edição do texto original gentilmente cedido pelo Pedro:

CORDEL – Os primeiros passos de um tipógrafo digital

O designer Buggy é a mais nova adição ao nosso corpo de tipógrafos populares! Ele fala ao nosso site sobre seu primeiro projeto de tipografia digital, baseado em literatura de cordel, e disponibiliza a fonte para download com exclusividade no Tipos Populares do Brasil.

Tenho um carinho muito especial pela Cordel. A história de sua criação tem um simbolismo muito forte para mim.

Parecerá estranho aos que me conhecem mas é verdade. Minha primeira fonte digital foi completamente gerada em Corel Draw… Desenho, espaçamento – sim os espaços esquisitos foram planejados – e geração de arquivo. Tudo feito com os ‘mais baixos recursos tecnológicos’ disponíveis na época, uma superação.

Era dia 29 de junho de 1997 quando apresentei a primeira versão da Cordel ao amigo Sílvio Barreto Campelo como resultado de uma sua disciplina no curso de design da UFPE.

Folhas A4 impressas em jato de tinta e enrroladas em papelão micro-ondulado traziam o conjunto de caracteres, até hoje inalterado, e o seguinte texto:

“A xilo praticada no auge do comércio da literatura de cordel no Nordeste foi o principal método de reprodução de imagens em impressos. A tipografia Cordel baseia-se no grafismo dos títulos talhados junto as imagens nos tacos de xilogravura. Seus traços sujos e toscos são citações do resultado desse rudimentar registro, contudo seu design como um todo é atual. Concebido sob uma ótica contemporânea.

Tal parágrafo é parte do relatório de uma pesquisa que durou dois meses e explorou o acervo de folhetos do Museu do Estado de Pernambuco.

Ah! Sinto saudades daquele tempo em que eu não conhecia qualquer tipo de culpa quanto ao design. Foi justo isto, inocência, disposição e, sobretudo, capacidade de realização que me empurrou para o mundo da tipografia.

Considero a Cordel meu marco pessoal de início da Tipos do aCASO. Sou grato ao Sílvio pelo despertar e pela oportunidade de começar a fazer algo concreto capaz de mudar verdadeiramente o lugar que escolhi para morar.

Agora, pela primeira vez, essa fonte está sendo colocada a disposição de todos, livremente. Espero que sua versão original seja instalada, impressa, descartada, amada e odiada. Assim, mesmo que por poucos instantes, ela cumprirá seu propósito. Será utilizada.

Buggy é designer e idealizador da casa de tipos Tipos do aCASO > http://www.tiposdoacaso.com.br