Archive for the ‘Fontes’ Category

Eis o convite comentado por De Marco

Tuesday, February 2nd, 2010

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Pois é amigo Tony, a reclusão as vezes faz bem. Voltamos cheios de novidades.

Eis uma pequena mostra das aplicações da Lia no material de nossas bodas. Na imagem: convite, mini bolo de rolo, envelopes (caligrafados por Matheus Barbosa) e cadernos cópticos, produzidos pela Nina Bookbinding (empresa de encadernação da noiva).

Casamento é um mundão de peças promo que não tem fim. Não é qualquer ação promocional que tem tantas aplicações assim.

Fazer uma fonte não foi propriamente uma novidade, mas estampa de azulejo foi algo inédito. O resultado ficou bacana, mais ainda pois tive a oportunidade de produzi-lo eu mesmo. Mão na offset, ajustes nas facas de corte, testes de opacidade de papel e tac de tinta. Tudo nos conformes sob a maior pressão. Quando você é o cliente, tudo bem. Mas, quando trata-se da futura esposa…

O processo de produção foi muito divertido, cheio de contriuições de amigos queridos. Mais detalhes – que valem a pena ser vistos – nos endereços:

http://casamentoliaebuggy.blogspot.com/

http://www.flickr.com/photos/liaalcantara/sets/72157623093138891/

Lia

Sunday, January 31st, 2010

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Este é mais um dos projetos que ainda estou desenvolvendo. Um dos mais adiantados, acredito.

Outubro do ano passado abrigou meu casamento religioso, realizado na cidade de Fortaleza-CE.

Para os festejos recebi uma encomenda expressa da noiva: projetar e produzir os convites.

Segui a fórmula básica: convite de casamento, igual a tipografia, mais caligrafia. Precisava então providenciar inicialmente a tipografia. Assim foi feito. Dei início ao projeto da fonte digital Lia. Nada que remetesse ao manuscrito. Afinal Matheus Barbosa – irmão calígrafo – já seria ‘escravizado’.

Um caminho oposto foi tomado. Um tipo mecanizado, com ares de contemporâneo, porém com certo romantismo. Afinal de contas, tratava-se de um casamento. Logo, a inspiração: máquina de escrever.

A fonte American Typewriter Light do Catálogo de Fotoletras da Gráfica Editora Apipucus S.A. serviu de referência para posicionamento das lágrimas na Lia. O peso foi modificado. Porém, a configuração de alguns terminais foi mantida. Por exemplo, no caso da perna do ‘R’ e parte inferior da haste do ‘t’.

Toda a fonte tem bojo retangula, característica determinante, e seu projeto tem princípio modular. Na verdade, uma evolução do que é proposto no segundo experimento do MECOTipo, algo de maior complexidade, capaz de comportar maior variação de módulos do que os três originalmente propostos pelo método.

Como costumo dizer: Músicos compõem canções para suas amadas, pintores pintam telas em sua homenagem e nós, tipógrafos, fazemos fontes.

O resultado preliminar da Lia está ai. A versão beta 03 já está em andamento, com espaçamento ajustado, mais caracteres e curvas suavizadas. A versão bold, como já informado no post anterior, também está a caminho.

 

Lia, na capa do Ensaio de Bárbara.

Saturday, January 30th, 2010

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Já faz um tempo estou devendo apresentar a fonte Lia neste blog. Eis que surge uma bela ocasião.

Acabo de receber um exemplar do livro Ensaio, da artista Bárbara Wagner. Linda publicação que tem projeto gráfico de Clara Gouvêa e texto de Giuliano Sergio para apresentar uma série de ensaios de maracatu clicados por Bárbara.

Em uma dessas noites no Bar Central, encontrei Clara que me pediu uma fonte para usar na capa do livro de uma colega. descreveu-me as características desejadas e logo percebi que se encaixavam com as da Lia, fonte que desenvolvi para os festejos de minhas bodas em outubro do ano passado.

O único aspecto que não se encaixava com o pedido era uma versão bold. Lia ainda estava apenas em versão regular. Como tudo é sempre para ontém, combinamos apenas de “emboldar” o título – ENSAIO – e entregar o arquivo .ttf da fonte como estava.

O resultado na capa do livro ficou ótimo. Relevo seco com verniz marcam o título da obra em negrito e o nome da autora em estilo normal. A versão bold da Lia está a caminho e o próximo post, garanto ser da versão já em uso.

Armoribat 2

Thursday, December 24th, 2009

Literatura, teatro, artes plásticas e música são algumas expressões de um exuberante movimento cultural que fundiu o erudito e o popular do Nordeste do Brasil, o Armorial. Alguns dos artistas arregimentados pelo escritor Ariano Suassuna para originar esse movimento emprestam seus traços para compor os ícones desta fonte dingbat.

Um levantamento iconográfico realizado através de moldes científicos forneceu subsídios para a construção desta fonte que busca preservar e promover o Movimento Armorial e está inserida em uma família com mesma finalidade.

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Armoribat 1

Wednesday, December 23rd, 2009

Entre os anos de 1940 e 1960 o Brasil desabrochou para a Era Industrial. A chegada e a popularização do cinema, rádio e TV iniciaram a massificação da arte produzida apenas nos centros urbanos, apesar da cultura popular continuar pulsante nos recônditos pobres, principalmente nas áreas rurais. Assim, algumas expressões artísticas sobreviveram marginalizadas no Nordeste do país como o mamulengo, o maracatu, o cavalo-marinho, o reisado e a literatura de cordel.

Com o objetivo de revitalizar essas tradições populares o escritor Ariano Suassuna arregimentou o trabalho de alguns artistas e promoveu uma re-leitura erudita delas. Estava criado o Movimento Armorial, lançado em outubro de 1970, no Pátio de São Pedro, centro do Recife.

Esta fonte dingbat foi desenvolvida a partir de um levantamento iconográfico focado nesse movimento, afim de preserva-lo e difundi-lo. Os traços de seus ícones remetem aos observados nas capas dos folhetos de cordel, inspiração para o Armorial.

A Tipos do aCASO promoveu essa realização durante o período de sua permanência como unidade de negócios da Fundição Design e Tecnologia. A exemplo do projeto Manguebats, – premiado levantamento iconográfico do Movimento Mangue Beat – o Armoribats trata de um movimento cultural tipicamente pernambucano com expressões em vários segmentos artísticos.

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Tipos de madeirda & linóleo?

Saturday, December 12th, 2009

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Wood Type Class O. No. 644 da Hamilton.

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Grotesca Gorda Apertada da Fontimod, corpo 96 pontos.

Conforme prometido, ai estão as imagens das fontes citadas nos dois últimos posts.

O material da fonte produzida pela Fontimod ainda não foi identificado ao certo. Se alguém souber fazê-lo com propriedade entre em contato ou faça um comentário.

Ontem entrei em contato com o Wood Type Museum para obter mais informações sobre o restauro dos tipos da Hamilton.

Novo projeto

Thursday, December 10th, 2009

Até agora nunca havia colocado um projeto em andamento disponível neste site para apreciação pública. Porém, chegou a hora. Tenho tido muitas novidades e já mantive silêncio por um bom tempo. Tempo esse necessário para poder dizer algo de realmente interessante.

Após instituir o Laboratório de Tipografia do Agreste, LTA – do qual ainda se saberá bastante através deste site – no CAA de Caruaru resolvi iniciar um projeto de fonte para ser utilizado no cartaz de convocação de estagiários. A peça terá de refletir o espírito do LTA. Desse modo, deverá ser impressa com tipos móveis. Mas, como fazer isto com corpos maiores do que 96 pontos quando não se tem caixas deles? Bem, isto já foi feito antes dos maravilhosos microcomputadores e impressoras jato-de-tinta, logo não há novidade. É só pesquisar.

Madeira pode ser a resposta. Está ligada ao passado recente de impressão no Agreste – tacos de xilo para ilustrar as capas de cordéis – e permite o desenho de grandes corpos. Como o uso de algumas das espécies adequadas a este uso configuram hoje crime ambiental e de qualquer forma, as pranchas das espécies de corte são difíceis de preparar o substituto ‘natural’ irá servir bem ao propósito. Que seja o MDF.

Decisão tomada e ouvi de mim mesmo a pergunta que ouço todos os dias de outras bocas: Que fonte usar? Imediatamente a resposta: Uma nova, feita por mim! Cartaz e tipos de madeira lembram o período Pré-Moderno. Victorian Era, tanto européia, quanto americana. Caminho apontado, pesquisa iniciada e projeto em andamento.

Preciso apenas de três letras para ilustrar o cartaz. ‘L’, ‘T’ e ‘A’. As demais virão da caixa da Fontimod citada no post anterior. Mas, designer que é designer padece cronicamente de ‘5 minutos’ e a fonte deve ser completa. Assim, segue o preview que mostra o andamento do trabalho.

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