Archive for the ‘História’ Category

Tipografia paulista, fotografia peruana e design cearense em visita ao LTA

Sunday, July 10th, 2011

Na sexta, dia 08 de julho, o Laboratório de Tipografia do Agreste-LTA recebeu a visita dos amigos Mello, Patrícia, Gibaja e Angélica. Conversamos sobre nossos tipos e impressora, discutimos alguns possíveis projetos e ouvimos várias dicas. Pura diversão.

De Caruaru seguimos para Bezerros onde acertarmos os últimos detalhes antes do início das gravações do ‘Conversas com o tipógrafo J. Borges’.

Ah! Gibaja, fez várias fotos sensacionáis, inclusive as deste post. Vale a pena conferir o flickr da fera: http://www.flickr.com/photos/carlos_gibaja/

Fidalga 2010

Sunday, May 22nd, 2011

Já faz um tempo que estou em dívida com os amigos da Gráfica Fidalga, Carlinhos e Sr. Maurício. Tentei várias vezes escrever sobre a visita que lhes fiz ano passado, em plena Copa do Mundo. Porém, sempre que abria o editor de texto algo novo surgia para desviar minha atenção. Uma grave falta diante da generosidade e simpatia desses dois impressores.

Era manhã do dia 28 de junho de 2010. O jogo Brasil e Chile estava marcado para começar às 15:30h. Mas, às 10:45h Henrique Nardi, Matheus Barbosa e eu chegávamos em frente ao portão de uma casa simples, no bairro do Morumbi em São Paulo.

Tocamos a cigarra e Carlinhos veio nos atender. Faziam poucos meses que a gráfica havia mudado de endereço, deixando a Vila Madalena.

Cumprimentos trocados, entramos para conhecer a gigantesca impressora. Eu nunca havia estado diante de um equipamento como aquele. A dimensão era impressionante, tudo era grande dentro do pequeno imóvel. Tipos medidos em furos, ramas em metros e uma intrigante ausência de guilhotina.

Dois dos três cômodos da casa abrigavam o excelente acervo da Fidalga. Na sala, repleta de prateleiras, descansavam, uns sobre os outros, os tipos de madeira com corpos acima de 10cm. Em um dos quartos apertavam-se algumas caixas tipográficas de corpos menores, 72 e 96pts. A suíte servia de vestiário.

Fomos deixados a vontade para explorar tudo, desde que não bagunçássemos a organização dos tipos.

Fiz inúmeras perguntas sobre a composição manual para produção de cartazes, a confecção de tipos, o perfil de clientes da gráfica e até sobre aquisição de equipamentos. Nada ficou sem resposta. A paciência de Carlinhos e Sr. Maurício foi enorme. Ao longo da conversa Henrique sugeriu que fizéssemos um cartaz. De pronto aceitei e convidei Matheus para compormos algo de improviso. Uma peça que marcasse a visita da Tipos do aCASO a Gráfica Fidalga.

O sol estava a pino quando demos início ao projeto com a promessa de sairmos de lá para assistir o jogo em um bar com os cartazes impressos.

Texto redigido, tipos e adornos escolhidos começamos a montar a matriz.

Ao final desse trabalho, apertamos os cunhos e montamos a rama na impressora. Aproveitamos a mesma tinta que estava na máquina para a impressão de um pôster lambe-lambe que acabara de ser rodado.

Após o teste de impressão saímos para sacar dinheiro para pagar a tiragem. Ao retornarmos o cento de cartazes já estava pronto. Promessa cumprida.

Enchemos o porta malas do carro de Henrique e saímos correndo para não perder o jogo. Tudo deu certo, ganhamos de três a zero e a peça gráfica ficou ótima.

Ah! A Fidalga não usa guilhotina porque a maioria dos impressos que produz adota a dimensão industrial das folhas de papel como formato final ou como sua fração.

Ainda sobre o carnaval 2011…

Wednesday, April 6th, 2011

Demorei para me lembrar desta foto, afinal foi clicada durante uma tarde de carnaval nas ladeiras de Olinda.

Descobri o poster de divulgação dos Armoribats estampado em uma camisa de algum bloco que usou as cores do Eu Acho É Pouco. Curioso ver onde seu trabalho acaba indo parar…

A reprodução estava péssima e o encontro foi inusitado. Porém, difícil mesmo foi explicar para o sujeito que vestia a camisa o motivo pelo qual eu queria fotografá-lo. Uma saia justa danada. E ainda tive de ouvir: ‘Não, este desenho quem fez foi o fulaninho, um DESIGN amigo nosso…’

Sopa de Letrinhas no Carnaval de Olinda 2011

Tuesday, March 15th, 2011

Apesar das bandas de forró eletrônico e axé, das ilustrações conflitantes na identidade visual do carnaval de Recife e do macérrimo Reio Momo que tivemos este ano resolvemos colocar nosso bloco na rua novamente.

Fomos a Olinda durante a segunda de carnaval e gritamos nossas palvras de ordem. Uma grande farra.

Mas, desta vez optamos por camisas estampadas com caracteres de fonte Lia. Na verdade, uma versão bold. A continuação do ‘ensaio’ feito para Bárbara Wagner no ano pasado.

Valeu família, Povo do meu Ceará! Ano que vem tem mais.

Tinta, Linha & Tipo

Tuesday, November 16th, 2010

Exposição coletiva de trabalhos artísticos produzidos pelos designers Buggy, David Suarez, Lia Alcântara, Patrícia Amorim, Raul Aguiar e Thiago!

A EXPOSIÇÃO Durante a abertura da exposição Buggy, David e Lia estiveram no local produzindo duas das peças a serem expostas. Tratou-se de uma instalação performática de cunho artístico baseada em técnicas de design gráfico que será promovida pelos ministrantes da oficina Cadernos de Ilustrações Tipográficas na galeria do Bar Mercearia e contará com a participação de discentes do CAA e membros da comunidade cultural de Caruaru. Os espectadores foram convidados a interagir com o grupo de artistas gráficos auxiliando na produção que ocorrerá de forma orgânica e colaborativa. Essas peças somaram-se a outras dez anteriormente produzidas pelos artistas envolvidos na exposição e foram exibidas tensionadas em barbante de fibras naturais fixados na parede da galeria com auxilio de grampos tipo bind.

TÉCNICA Produção colaborativa de peças em papel com o emprego de técnica mista. Desenho, pintura, impressão, colagem e costura compõem o horizonte de recursos gráficos usados na representação pictórica de figuras humanas, antropozoomórficas e zoomórficas que ilustram temas políticos e prosaicos do cotidiano dos artistas gráficos.

PEÇAS EXPOSTAS Doze peças foram expostas. Delas, dez haviam sido anteriormente produzidas pelos artistas: Recife & Havana, painel composto por três peças formato 66X96cm, técnica mista sobre papel craft (autoria: Buggy, David, Patrícia e Raul); O Peixe, técnica mista sobre papel craft, 96x66cm (autoria: Buggy, David e Thiago!) e os cartazes Oficina Cadernos de Ilustrações Tipográficas, quatro peças formato 48X66cm, técnica mista sobre papel color plus (autoria: Buggy, David, Lia, Patrícia e Raul). As outras duas peças formato 48X66cm, técnica mista sobre papel color plus foram desenvolvidas na ocasião da abertura da exposição.

RECURSOS Para o desenvolvimento das peças contou-se com o uso conjugado de canetas hidrográficas, giz de cera, lápis de cor, lápis grafite, nanquim, guache, óleo, transfers químicos, linha encerada, fita adesiva, matrizes xilográficas e tipos móveis de madeira e vinil.

ARTISTAS Prof. Me. Leonardo Araújo da Costa – Buggy, docente do Curso de Design do CAA e tipógrafo com mais de 10 anos de atuação na área; Prof. David Alfonso Suarez, cartazista e ilustrador cubano formado pelo Instituto Superior de Diseño Industrial de Cuba e a Prof.ª Lia Alcântara Rodrigues, sócia diretora da Nina Bookbinding e mestranda do programa de Pós graduação em Design da UFPE com larga experiência em encadernações artesanais; Prof. Ma. Patrícia Amorim, doutoranda do Programa de Pós Graduação em Design da UFPE, especializada em design editorial; Prof. Raul Aguiar, ilustrador e sócio-diretor da empresa de design Studio Aurora; Thiago!, designer, ilustrador e produtor do evento cearense Baião Ilustrado.

DATA A exposição ‘Tinta, Linha & Tipo’ ficou em cartaz na galeria do Bar Mercearia dos dias 26 de outubro a 08 de novembro de 2010, na Rua Silvino Macedo, Maurício de Nassau, Caruaru.

HORÁRIO DE VISITAÇÃO A exposição ficou aberta ao público de segunda a sábado, das 18:00h às 03:00h. A visitação foi gratuita.

Cadernos de Ilustrações Tipográficas

Thursday, November 11th, 2010

A Oficina Cadernos de Ilustrações Tipográficas foi o resultado de alguns experimentos desenvolvidos por Lia, Patrícia Amorim, David Suarez, Raul Aguiar e por mim em nossos fins de semana de ócio produtivo (aqueles nos quais nos reunimos para jogar conversa fora e desenhar).

Pois bem, desde os primeiros encontros pensávamos em como levar aquela vivência para uma sala de aula. Eu e David já havíamos conversado e investido algumas tardes na formatação de projetos na tentativa de tronar isto possível. Mas, nada nos agradava e de fato refletia nosso processo de produção. Também não haviam oportunidades para testarmos nossas idéias.
O maior problema foi, na verdade, ajustar a agenda de todos e providenciar uma estrutura adequada para testarmos uma das idéias que parecia ser a melhor. Assim, o LTA surgiu no meio desses conflitos para resolvê-los. Haveria de ter espaço e vontade na UFPE para a realização de uma oficina do modo como pensávamos.

Durante as tardes dos dias 25, 26 e 27 de outubro deste ano sugerimos aos alunos do Curso de Design do CAA um breve estudo dos instrumentos, materiais e processos de impressão tipográfica, ilustração manual baseada em metáfora gráfica e encadernação. Essa atividade permitiu aos envolvidos observar a integração de práticas ligadas ao design durante a produção de skechtbooks.

De modo geral exploramos uma dimensão plástica do design gráfico capaz de unir práticas tipográficas, de ilustração e de encadernação dentro de uma perspectiva coletiva de construção do conhecimento. Tais práticas relacionadas ao universo do projeto editorial foram trazidas de forma lúdica ao ambiente acadêmico da sala de aula graças às prerrogativas da extensão universitária.

Trabalhamos juntos durante 12 horas para realizar impressões tipográficas em folhas de papel que receberam a intervenção de desenhos manuais que compuseram ilustrações de capa para cadernos artesanais. Foi possível experimentar a plasticidade da livre composição de textos com tipos móveis associada ao conceito de metáfora gráfica aplicada a encadernação de diários imagéticos. Os resultados estão postados a seguir.

Tipos Latinos 2010 no Brasil: primeira palestra

Saturday, July 3rd, 2010

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Uma excelente oportunidade para encontrar os amigos e bater um papo sobre o que mais gostamos: tipografia.

Era sábado, 26 de junho, e fazia sol em São Paulo. Por volta do meio dia nos reunimos para almoçar na Liberdade. Eu, minha mãe e irmã encontramos Matheus, Henrique, Eduilson e Neder. O sushi não estava a altura da companhia, mas a conversa e a cerveja foram excelentes.

Após muito peixe e arroz seguimos para abertura da Tipos Latinos no Centro Cultural São Paulo, número 1.000 da Vergueiro, não muito longe de onde estávamos.

Ao chegar encontramos mais amigos e a exposição dos trabalhos selecionados pela bienal montada.

Uma breve percorrida com os olhos pelso painéis e logo teve início a primeira palestra, Diseño de tipos en España hoy. Aproximadamente cem pessoas estavam presentes para ouvir Laura Meseguer falar sobre a cena tipográfica espanhola.

A designer pós graduada em Haia mostrou uma produção recente queganhou força a partir dos anos 90 do século passado, a semelhança do que ocorreu com a brasileira. Muitas fontes de texto e display produzidas por nomes até então desconhecidos para mim. Andreu Balius, Iñigo Jerez, Pilar Cano, Jordi Embodas, Juan Martinez, Jesep Patau, Txema Ribagorda e Eduardo Manso. Este último, o de maior destaque e único familiar, curiosamente de procedência argentina.

Outro fato curioso: a origem do trabalho tipográfico de Laura. Em 1990 ela fundou o Type-Ø-Tones junto com Joan Barjau, Enric Jardí e José Manuel Úros. Essa digital type foundry, assim como a Tipos do aCASO, também foi coletivo antes de virar empresa e passou por diversos momentos parecidos com os que compõem a nossa trajetória.

Muito gentil, a professora Meseguer que ensina tipografia na Elisava Escola Superior de Disseny e na Eina Escola de Disseny i Art – na qual leciona no Máster de Tipografia Avanzada – respondeu a perguntas no final de sua palestra e demosntrou grande interesse pela produção tipográfica brasileira.

Tá lá, no index do MyFonts!

Saturday, June 12th, 2010

Bitmap_myfonts

Depois de muito tempo, tive tempo… E tá lá, Bitmap no index do MyFonts. Além dela, Cordel (em versão revista e ampliada), Oxe, Stone, Disquete e Régua compõem o primeiro lote de fontes desenhadas por mim a serem colocadas a venda em um site gringo.

É muito legal ver a Tipos do aCASO falando para o mundo. Obrigado ao amigo Paulo W. que deu o empurrão que faltava para isto acontecer.

Visitem: http://new.myfonts.com/foundry/Tipos_do_aCASO/

Cordel, a primeira fonte.

Sunday, May 2nd, 2010

cordel.jpg

Já faz um tempo que desejo publicar neste site o texto que havia escrito, a pedido do Pedro Moura, para o saudoso site Tipos Populares. Falo de um breve relato sobre minha primeira incursão ao mundo do desenho tipográfico, a experiência com a produção da fonte digital Cordel.

Tal desejo aumentou durante recente visita ao Alto do Moura, em Caruaru. Chegando lá, ainda dentro do carro, vejo a Cordel estampada na fachada de um dos restaurantes do local. Engraçado ver onde suas fontes vão parar, sobretudo quando distribuidas gratuitamente.

Bem, a foto que ilustra este ‘post’ é do material apresentado ao colega Sílvio Barreto Campelo nos idos de 1997, um ‘type specimen’ bem rudimentar. Com a leitura do texto a seguir ficará claro que ainda guardo com carinho a maior parte de meus trabalhos de faculdade.

Segue uma re-edição do texto original gentilmente cedido pelo Pedro:

CORDEL – Os primeiros passos de um tipógrafo digital

O designer Buggy é a mais nova adição ao nosso corpo de tipógrafos populares! Ele fala ao nosso site sobre seu primeiro projeto de tipografia digital, baseado em literatura de cordel, e disponibiliza a fonte para download com exclusividade no Tipos Populares do Brasil.

Tenho um carinho muito especial pela Cordel. A história de sua criação tem um simbolismo muito forte para mim.

Parecerá estranho aos que me conhecem mas é verdade. Minha primeira fonte digital foi completamente gerada em Corel Draw… Desenho, espaçamento – sim os espaços esquisitos foram planejados – e geração de arquivo. Tudo feito com os ‘mais baixos recursos tecnológicos’ disponíveis na época, uma superação.

Era dia 29 de junho de 1997 quando apresentei a primeira versão da Cordel ao amigo Sílvio Barreto Campelo como resultado de uma sua disciplina no curso de design da UFPE.

Folhas A4 impressas em jato de tinta e enrroladas em papelão micro-ondulado traziam o conjunto de caracteres, até hoje inalterado, e o seguinte texto:

“A xilo praticada no auge do comércio da literatura de cordel no Nordeste foi o principal método de reprodução de imagens em impressos. A tipografia Cordel baseia-se no grafismo dos títulos talhados junto as imagens nos tacos de xilogravura. Seus traços sujos e toscos são citações do resultado desse rudimentar registro, contudo seu design como um todo é atual. Concebido sob uma ótica contemporânea.

Tal parágrafo é parte do relatório de uma pesquisa que durou dois meses e explorou o acervo de folhetos do Museu do Estado de Pernambuco.

Ah! Sinto saudades daquele tempo em que eu não conhecia qualquer tipo de culpa quanto ao design. Foi justo isto, inocência, disposição e, sobretudo, capacidade de realização que me empurrou para o mundo da tipografia.

Considero a Cordel meu marco pessoal de início da Tipos do aCASO. Sou grato ao Sílvio pelo despertar e pela oportunidade de começar a fazer algo concreto capaz de mudar verdadeiramente o lugar que escolhi para morar.

Agora, pela primeira vez, essa fonte está sendo colocada a disposição de todos, livremente. Espero que sua versão original seja instalada, impressa, descartada, amada e odiada. Assim, mesmo que por poucos instantes, ela cumprirá seu propósito. Será utilizada.

Buggy é designer e idealizador da casa de tipos Tipos do aCASO > http://www.tiposdoacaso.com.br

Ainda Hamilton

Friday, April 9th, 2010

Já faz um tempo que não ‘posto’ nada. Bem, ainda ressaca de fim de carnaval...

Ainda em fevereiro troquei uns e-mails com o Roberto Marques, leitor deste blog, que comentou a respeito de uma de nossas caixas de tipos de madeira, a qual supúnhamos Hamilton’s #644. Disse Roberto:

 – Não sei se já identificaram a fonte da imagem, mas encontrei no livro "Homage to Alphabet: A Typeface Sourcebook" editado pela Phill's Photo, uma fonte chamada "Columbus". Muitos caracteres são semelhantes, mas alguns como o "B" são/estão diferentes.

 

Pedi que me enviasse uma imagem da Columbus para comparar os desenhos. A fonte é linda e realmente semelhante a que temos. Todavia, ainda não foi desta vez que identificamos nossos tipos de madeira. A fonte apresentada no Hemage to Alphabet é mais ‘expandida’.

 

Dêem uma olhada no ‘post’ que traz as imagens de nossa caixa tipográfica e atestem também as diferenças. Acreditamos, eu e Roberto, que a Columbus é um projeto de fotoletra, provavelmente mais recente.

De qualquer forma, a contribuição do Roberto foi valiosa, muito obrigado. Continuamos na busca.

columbus.gif