Archive for the ‘História’ Category

Lia

Sunday, January 31st, 2010

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Este é mais um dos projetos que ainda estou desenvolvendo. Um dos mais adiantados, acredito.

Outubro do ano passado abrigou meu casamento religioso, realizado na cidade de Fortaleza-CE.

Para os festejos recebi uma encomenda expressa da noiva: projetar e produzir os convites.

Segui a fórmula básica: convite de casamento, igual a tipografia, mais caligrafia. Precisava então providenciar inicialmente a tipografia. Assim foi feito. Dei início ao projeto da fonte digital Lia. Nada que remetesse ao manuscrito. Afinal Matheus Barbosa – irmão calígrafo – já seria ‘escravizado’.

Um caminho oposto foi tomado. Um tipo mecanizado, com ares de contemporâneo, porém com certo romantismo. Afinal de contas, tratava-se de um casamento. Logo, a inspiração: máquina de escrever.

A fonte American Typewriter Light do Catálogo de Fotoletras da Gráfica Editora Apipucus S.A. serviu de referência para posicionamento das lágrimas na Lia. O peso foi modificado. Porém, a configuração de alguns terminais foi mantida. Por exemplo, no caso da perna do ‘R’ e parte inferior da haste do ‘t’.

Toda a fonte tem bojo retangula, característica determinante, e seu projeto tem princípio modular. Na verdade, uma evolução do que é proposto no segundo experimento do MECOTipo, algo de maior complexidade, capaz de comportar maior variação de módulos do que os três originalmente propostos pelo método.

Como costumo dizer: Músicos compõem canções para suas amadas, pintores pintam telas em sua homenagem e nós, tipógrafos, fazemos fontes.

O resultado preliminar da Lia está ai. A versão beta 03 já está em andamento, com espaçamento ajustado, mais caracteres e curvas suavizadas. A versão bold, como já informado no post anterior, também está a caminho.

 

Não temos Hamilton…

Thursday, December 17th, 2009

Já fazem dois dias que recebi a notícia. Não, os tipos de madeira que estou restaurando não são da Hamilton.

No dia 10 deste mês escrevi ao Sr. Robert Lee, responsável pelo acervo do Wood Type Museum, solicitando a confirmação da origem de uma caixa de tipos que adquiri a cerca de um ano. Fiz isso pois, havia tido contato com o catálogo 14 da Hamilton poucos dias antes e percebi que o desenho da fonte classe O, nº 644, era idêntico ao dos blocos que estava manipulando.

Infelizmente o Sr. Lee não os reconheceu como tal. ‘ You type looks very similar to Hamilton’s #644. It is almost identical.
However, when you look closely you will see minute differences in almost all the alphabets. Most obvious is in letter “R” where inside circle is almost half circle in yours, but in 644, it is more elongated.’.

Por um lado, uma pena. Por outro, a saga continua: Quem conheçe essa fonte?

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Tipos de madeirda & linóleo?

Saturday, December 12th, 2009

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Wood Type Class O. No. 644 da Hamilton.

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Grotesca Gorda Apertada da Fontimod, corpo 96 pontos.

Conforme prometido, ai estão as imagens das fontes citadas nos dois últimos posts.

O material da fonte produzida pela Fontimod ainda não foi identificado ao certo. Se alguém souber fazê-lo com propriedade entre em contato ou faça um comentário.

Ontem entrei em contato com o Wood Type Museum para obter mais informações sobre o restauro dos tipos da Hamilton.

Sopa de Letrinhas no Carnaval de Olinda 2009

Sunday, March 8th, 2009

Este ano a Tipos do aCASO pôs em prática um antigo projeto, desfilar pelas ladeiras de Olinda. Uma verdadeira sopa de letrinhas percorreu a Cidade Alta na manhã do sábado de carnaval.

A idéia foi lançada aos alunos do Curso de Design Gráfico da Faculdades Integradas Barros Melo durante o ‘Design tem a sua cara 2009’, evento que configura a semana acadêmica daquele curso e marca o início de seu ano letivo. Muitos alunos aderiram de imediato à idéia e o fundador da Tipos, o Buggy, tratou de organizar uma oficina para a produção das fantasias.

Foram quatro dias de intenso trabalho para escolher a fonte, desenvolver o projeto e executar as letras que seriam vestidas pelo grupo. Da conceituação a confecção, passando pela escolha dos materiais e testes de protótipos, todos trabalharam juntos em clima de folia.

Cada participante encarnou uma letra e o grupo formou uma série de palavras ao longo de um percurso que foi da Praça do Carmo até a Prefeitura. Uma fantasia coletiva que conquistou a simpatia de todos por onde passou. Fadas, princesas, homens das cavernas, super-heróis, presidentes, presidiários, chocolates e um numero sem fim de personagens entraram no clima da Tipos do aCASO. Cada um pedia uma palavra diferente.

A Tipos do aCASO agradece a todos os que abraçaram esta idéia e participaram pra valer deste novo bloco que surgiu no carnaval de Olinda. Foi uma grande diversão executar este antigo projeto com todos vocês. Valeu, ano que vem tem mais. Fiquem com algumas imagens da oficina e do nosso passeio pelas ladeiras do frevo.

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1999, a primeira exposição.

Tuesday, October 21st, 2008

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A eficiência da impressão laser e o apoio da Copiadora Nacional nos despacharam rapidamente rumo ao evento que marcou o início das atividades da Tipos do aCASO. De catálogos em punho, exposição na mala, cartões de visita no bolso e cara de pau de sobra fomos, eu e Miguel, de ônibus para Fortaleza.

Lá chegando nos deparamos com um dos melhores cursos de design que já tive oportunidade de conhecer, o do Centro[Design]Ceará, instituição vinculada ao Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura. Um modelo a seguir. Pessoal comprometido e infra-estrutura de alto nível.

Montamos  nossa exposição na escadaria de acesso a sala na qual assistiríamos junto com a segunda turma daquele curso uma semana de aulas matinais da professora Priscila Lena Farias, 13 a 17 de setembro.

Logo estávamos, eu, Miguel e Priscila batendo pernas pelas tardes cearenses, enquanto Solange Coutinho – que também havia ido a aquela cidade na mesma semana – ministrava aulas para o mesmo grupo no período da tarde. Conheçemos  muitos bares, boxes de mercados, salas de exposição e toda sorte de lugares interessantes durante cinco dias, incluindo o ateliê do designer Júlio Silveira. Ah, que papéis maravilhosos fazia Júlio (curioso é que anos depois, em 2007, viria a me tornar aluno de gravura do mesmo generoso Júlio, apredendo com ele os primeiros talhos na madeira. Mas, isto é assunto para outro texto.)!

Os catálogos da Tipos do aCASO foram um sucesso e a exposição também. Reunimos 19 (dezenove) fontes digitais em formato .ttf de 07 (sete) designers pernambucanos. Sentimos a força do impacto que causamos e gostamos daquilo.

Surgia oficialmente a primeira fonthouse pernambucana. Este fato foi decisivo para o apefeiçoamento técnico e divulgação de nossas fontes digitais.

1999, o começo.

Wednesday, October 15th, 2008

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A idéia de montar uma fonthouse surgiu em 1998 com os primeiros desenhos de fontes. Uma idéia envolta pela inocência e ambição dos vinte e poucos anos. T26, Emigre, House Industries e tantas outras eram um colírio para meus olhos. Olhos havidos por ver refletida aqui em Recife aquela cena que, para mim, se desenrolava na internet. Todavia, apenas em 1999 pude de fato encontrar condições de começar algo neste sentido.

 Naquele ano juntei minha vontade de trabalhar com tipografia a de Miguel Sanches e surpreendentemente encontramos outros amigos com o mesmo pensamento. Muitos deles tinham trabalhos engavetados e, assim como nós, vergonha ou absoluta falta de intenção de mostra-los.

A esse tempo eu já havia conhecido José Bessa e Cláudio Reston – Elesbão e Haroldinho – via intenet. Um Design de Bolso acabou parando em minhas mãos me causando paradoxalmente euforia e tristeza. Tristeza pois havia encontrado ‘minha idéia’ realizada ainda melhor do que minhas projeções aspiravam. Euforia pois soube que havia encontrado alguém fora de minha cidade com idéias parecidas e capacidade de realizá-las de forma brilhante. Trocamos nossas fontes e rapidamente fui convidado pelos meninos a participar de um catálogo da Tipopotamo Fontes, sua fonthouse.

Foi o estopim que faltava para detonar a Tipos do aCASO. Solange Coutinho, Márcia Maia, Moema Cruz, Miguel Sanches e eu decidimos que nosso coletivo fundado naquele 26 de abril, o aCASO, tinha de ter uma fonthouse. A missão de concretiza-la coube a mim e a Miguel.

Definitivamente um mês atribulado aquele agosto de 1999. Recebi um convite do meu querido amigo José Marconi B. de Souza, então coordenador do curso de design do Centro[Design]Ceará, para ministrar uma disciplina de desenho experimental de fontes digitais. Após recuperar-me do choque, aceitei o desafio de posse de toda a cara de pau que poderia reunir para responder a aquela provocação. Contudo, não o faria sozinho. Arrastei Miguel para aquela aventura. Por sorte o acaso – não falo de nosso coletivo – conspirou a nosso favor e um conflito de convites nos colocou frente a frente com a professora Priscila Lena Farias.

O diretor do centro, o Sr. Eduardo Baroso, havia realizado convite semelhante para a autora do recém publicado Tipografia Digital. Ufa, pulamos uma fogueira! Imediatamente nos candidatamos a cursar aquela disciplina, claro. Sem acordos para dividi-la, como desejou Marconi.

Reunimos os trabalhos de alguns amigos e limpamos a poeira de uns outros nossos. Assim, diagramamos o primeiro catálogo da Tipos do aCASO que ainda rendeu uma exposição e nosso cartão de visita – este publicado na edição de número dois da revista Tupigrafia. Acendemos o estopim e surgiu nossa tão desejada fonthouse.

A Tipos do aCASO está de cara nova.

Monday, November 12th, 2007

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Caminhamos a passos largos para completar 10 anos de existência e é divertido lembrar que no início tínhamos pouca idéia do que estávamos fazendo.

Em janeiro de 2000, Solange Coutinho, Márcia Maia, Moema Cruz, Miguel Sanches e eu decidimos formar um grupo de estudos dedicado a tipografia. Estávamos fascinados por este assunto e empolgados com o sucesso de uma exposição montada poucos meses antes, novembro de 1999. Fizemos tudo às pressas para viajarmos à Fortaleza atendendo a um convite do Instituto Dragão do Mar. Demos alguns telefonemas e em poucas horas havíamos reunido 19 fontes true type de amigos. Aproveitamos a ocasião e fizemos um folheto para divulgar as nossas fontes. Tudo foi impresso e embarcamos para o Ceará. Pronto, surgia a Tipos do aCASO.

Nos anos seguintes produzimos catálogos de nossas próprias fontes, pequenos objetos e uma série de materiais promocionais. Inventávamos nosso próprio jeito de fazer tipografia. Reverenciávamos o movimento O Gráfico Amador, mas buscávamos freneticamente entender os processos que nos levariam a produzir fontes digitais melhores. Promovemos uma série de cursos, exposições e fóruns com a generosa ajuda dos amigos Priscila Farias, Billy Bacon, Tony de Marco e Cláudio Rocha. Em paralelo outros amigos, Cecília Consolo, Márcio Shimabukuro, Henrique Nardi, José Bessa e Cláudio Reston cuidavam de ajudar em nossa divulgação pelo eixo Rio/São Paulo.

Crescemos e aparecemos. A Tipos do aCASO ganhou um CNPJ e virou uma unidade de negócios dentro de uma empresa de design. Acrescentamos alguns zeros nos preços de nossa fontes, modificamos a forma de encarar nosso trabalho e conquistamos alguns prêmios. O choque cultural foi inevitável e a informalidade que regia o aCASO, coletivo que deu origem à ‘Tipos’, não encontrou mais espaço frente a nova realidade.

Durante os últimos anos alternamos momentos de maior e menor atividade na internet, de acordo com o direcionamento de interesses comerciais e estratégicos de nossa marca. Contudo, mantivemos firme e crescente nossa produção.

Hoje, vivemos mais um momento de renovação. A primeira font house pernambucana se reinventa e surge com muitas novidades. As dicas a respeito de desenho divulgadas em nosso antigo site germinaram e deram origem a um livro, O MECOTipo. Publicação que trata de um método de ensino recheado de informações sobre design de tipos. Também mostraremos novas fontes, novos impressos, novo site, novo ânimo.

Os caminhos que trilhamos até hoje ajudaram a colocar o Nordeste no centro da discussão tipográfica brasileira e é neste lugar que desejamos permanecer acompanhados de colegas das demais regiões de nosso país.

É um imenso prazer estar mais uma vez de cara nova.

buggy@tiposdoacaso.com.br